O longo jogo da vida
Nestes dias lembrei-me de um poema muito bonito de Michel Quoist e naveguei pelas quadras de futsal por onde passamos. Na quadra tudo era escuro, até que os refletores tingiram os contornos do Ginásio de Esportes e a noite foi alimentada pelo coro de centenas de pessoas quando começou a partida. A bola branca corria de pé em pé em busca de uma jogada que pudesse ser concretizada em gol. Cada um dos jogadores se deslocava de lá para cá em busca de um posicionamento melhor até chegar ao ataque e no desfecho perfeito do jogador que a tinha nos pés, após ter reunido o esforço de cada um dos participantes da partida alcançar as redes e conquistar a vitória. Ao término do jogo me pus a pensar na história de cada um de nós. Estamos aqui para uma longa partida que Deus começou na aurora dos tempos e só terminará quando o último jogador tiver executado seu gesto derradeiro. Neste mundo, cada um de nós tem o seu lugar. Deus, treinador providente, desde sempre nos destinou para o jogo. Ele precisa de nós neste lugar, nossos irmãos precisam de nós e precisamos de todos. Não é a posição que ocupo que é importante, mas a perfeição e a intensidade da minha presença no campo da vida. Que eu esteja à frente ou atrás pouco importa. Importa que eu seja ao máximo aquilo que devo ser. Apesar dos insucessos, as pancadas e feridas que ocorrem ao longo da vida, não nos perturbemos e nem desanimemos, nem tampouco nos vangloriemos com os aplausos recebidos.
Peço-te Senhor que seja assim a cada dia... Faze que esta partida, celebrada com todos os meus irmãos, seja a imponente liturgia que o Senhor de nós espera.
Quando o Senhor der o último apito, interrompendo nossas vidas, que sejamos selecionados para a TAÇA DO CÉU.
Feliz Natal e a cada dia do novo ano, busquemos ser sinais da presença de Deus no nosso lugar. |