Padre Manuel Joaquim Padre Manuel Joaquim
Igreja em Ação - Janeiro 2010

A missão continua
Este é, com certeza, o maior desejo do padre Manuel Joaquim ao se despedir de Porecatu: que a luta pela dignidade humana continue nestas paragens.
Nestes cinco anos que esteve entre nós procurou, de forma sábia e paciente, mostrar que a missão do verdadeiro cristão é promover o homem em todos os sentidos. Nossa cidade foi abençoada com a presença do padre Manuel Joaquim.
Polêmico, irreverente, dinâmico, social, espiritual e muito culto. Com tudo isso ele deixou sua marca neste pouco tempo em que aqui esteve.
Certamente não agradou a todos. E isto foi muito bom.
Os que gostaram dele e de seus ensinamentos (e os que não gostaram) devem agora procurar fazer o que ele recomendou: “Lutem! Lutem pela vossa dignidade humana!

Que ninguém lhes roube o que Deus tão magnificamente lhes deu! Refaçam a história desta cidade com unhas e dentes”. Obrigado, padre Manuel Joaquim. Sucesso em sua nova empreitada em Londrina. E ainda bem que você continua por perto...

“Vi uma cidade que precisa urgente despertar”.
Deixo Porecatu depois de um período de cinco anos. Aqui cheguei como uma boa parte dos mais antigos moradores! Vindo de outras bandas e encarando a cidade e a sua história com humildade e apreensão. Creio, passados estes anos, que Porecatu precisa se reconciliar com a sua história. Não existe vida ou futuro sem uma assimilação do passado. Mais ou menos o que o Brasil está tentando fazer em relação aos duros anos da ditadura militar.

Todos falam um pouco do início da cidade. Não sei o quanto é ensinado nas escolas, mas ainda vejo muitas sombras e muitos equívocos e talvez inverdades. Que não foi um “mar de rosas” todos o sabemos! Que muita gente morreu também é fato público. Que aqui estamos no centro de um grande latifúndio é pura constatação. Mas até que ponto tudo isso é assimilado de foram pacífica e responsável com uma visão crítica da própria história? Tenho minhas dúvidas...

Vi uma cidade que precisa urgente despertar. Acordar para uma amanhã onde o sol brilhe para todos e a todos esquente nos invernos da vida. Uma cidade que já deu passos significativos, como a escola de ensino integral, e que já se vangloriou de seu IDH. Mas Porecatu ainda é uma cidade de profundas desigualdades sociais que geram exclusão. Nisso reflete ainda o arcaísmo de nosso país.

Quer queiramos ou não as mudanças acontecerão. Seria ótimo que elas acontecessem de forma harmoniosa e pacífica e justa. Tendo os porecatuenses de boa vontade como protagonistas. A perspicácia e inteligência nos ensinam a antecipar o óbvio! “Quem sabe faz a hora e não espera acontecer”! Corrigir o passado é perda de tempo. Alegar o passado para justificar o presente é atitude insana. Só nos resta assumir o passado, nos reconciliando com ele e arregaçar as mangas construindo um presente, um futuro melhor.

Saindo da cidade é isso que desejo a todos: Não baixem a cabeça! Não tolerem nada que ofusque o brilho da dignidade inerente a qualquer ser humano. Um abraço.

Pe Manuel Joaquim R. dos Santos
Pároco de Porecatu

dalwin00@yahoo.com.br
© O Vale do Paranapanema On-line 2010 - Todos os direitos reservados .
Este material não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem autorização.