O lado psicológico dos sete pecados capitais
Mais pela novela que pela reflexão própria de final de ano, comenta-se muito os sete pecados capitais, já citados na Bíblia, quando instituídos no século VI pelo papa Gregório Magno.
São chamados capitais porque ferem ao mesmo tempo a Deus, ao próprio pecador e ao próximo.
Alvo de muitas interpretações espirituais, psicologicamente servem de referência e base para o autoconhecimento. Conhecer-se é também perceber as faltas que cometemos para que elas não nos dominem, pois apesar de tidos como “pequenos deslizes”, não raro provocam grandes danos. É interessante refletir no significado psicológico de cada um dos pecados capitais.
Gula: Consiste em comer além do necessário e a toda hora; excesso de comida e bebida; grande desejo a boas iguarias.Psicologicamente pode ser entendida como gula intelectual, como uma forma de fuga de outras dificuldades ou dos próprios sentimentos. Para ser transformada, é preciso desenvolver a busca pelo equilíbrio não só através da comida, mas também do conhecimento.
Avareza: É a cobiça de bens materiais e dinheiro; ambição de riqueza; concupiscência; desejos veementes, intensos, violentos de possuir algum bem material. Psicologicamente significa grande medo de privação, uma percepção de escassez, falta de contato com o mundo interno, gerando uma busca incessante por tudo que é externo.
Inveja: Desejar atributos, status, posse e habilidades de outra pessoa; misto de ódio e desgosto provocado pela prosperidade ou alegria de outrem; desejo de possuir um bem que o outro possui ou desfruta.
Psicologicamente é gerador de ódio e destruição, onde a pessoa nega o valor do outro e em conseqüência o próprio valor, mas pode ser transformada em impulso para a busca de querer não o que o outro tem, mas acreditar ser capaz de buscar o que quer para si e valorizar o que tem.
Ira: É a junção dos sentimentos de raiva, ódio, rancor que às vezes é incontrolável e nos incita contra alguém; desejo de vingança. Psicologicamente é perda do controle mediante emoção totalmente destrutiva tanto para quem a sente como para quem se torna objeto dela, fazendo a pessoa agredir a todos, quando na verdade está agredindo a si própria. É preciso identificar a emoção que foi mobilizada e controlar a agressividade através da razão.
Soberba: É caracterizado pela falta de humildade, se achar em tudo auto-suficiente pelo conceito inadequado que se faz de si mesmo; amor-próprio exclusivo e exagerado; arrogância; orgulho. Leva a pessoa a desprezar os superiores e desobedecer às leis. Psicologicamente é desejo distorcido de grandeza, atribuindo apenas a si próprio os bens. É preciso desenvolver a humildade e principalmente a consciência do próprio valor enquanto pessoa, independente de posição ou aquisição de bens materiais.
Luxúria: Apego aos prazeres carnais; amor exclusivo aos prazeres da carne; libertinagem. Psicologicamente é o apetite sexual insaciável, com exclusiva satisfação física, que pode representar uma fuga do amor, da intimidade e do compromisso. Pode transformada se houver a possibilidade de troca, valorizando o sentimento, a intimidade, cumplicidade, que não podem ser desenvolvidos em relações rápidas e superficiais.
Preguiça: Aversão a qualquer tipo de trabalho ou esforço físico, propensão para não trabalhar; indolência; morosidade consciente; negligência deliberada. Psicologicamente pode ser uma demonstração de falta de confiança em si mesmo.
Principal significado psicológico:- Todos os pecados têm em comum a busca da satisfação no mundo externo, onde se procura compensar a falta de amor-próprio e a necessidade profunda e inconsciente de fugir dos próprios sentimentos. A percepção de cada um dos pecados em nossos comportamentos e dos conseqüentes conflitos gerados por eles nos relacionamentos, pode sinalizar a necessidade de um esforço consciente e racional de mudança. E mudança é uma grande característica do ser humano. Com certeza muda o ano! Vamos mudar também