No inicio do anos todos desejam "muita paz" até por tradição ou costume. De maneira bem consciente vale a pena ler o que D. Orlando Brandes, arcebispo de Londrina, escreveu para a Folha de Londrina no sábado, nove de Janeiro:-
- A paz é possível. Os anjos anunciaram a paz na Terra porque Jesus veio trazer o direito, a justiça, a verdade e amor. Ele ''derrubou o muro da inimizade'' (Ef 2,14). A lógica do direito supera a lógica da força. A paz é possível a partir do bom senso, da reta razão, da sabedoria dos povos. A guerra é uma derrota da humanidade.
- A paz começa em nós. O espírito de guerra tem sua raiz nos corações cheios de ódio, vingança, raiva, agressividade. Desarmar os espíritos e pacificar os corações as consciências pelo perdão, misericórdia e reconciliação é o primeiro passo para a paz.
- A paz tem alto preço. A paz não é barata, tem alto preço e é muito frágil. É preciso declarar guerra à corrupção, à fome, ao armamentismo e à depredação do ambiente para termos condições de paz. Eis o alto preço da paz. As nações poderosas não são fieis aos seus compromissos em prol da paz. A força do amor é mais poderosa que a força física. O amor lança fora a espada.
- A educação para a paz. Jesus é o Príncipe da paz e chamou os pacíficos de bem-aventurados filhos de Deus. Educar para a paz é educar para a justiça, para a verdade, para o amor. Somos no mundo uma grande família onde não basta o bem estar mas fazer o bem a todos. A guerra é um regresso de civilização, é prepotência, é lei dos brutos além de ser um absurdo e um comportamento selvagem. Só uma cultura da paz salvará o mundo da violência. ''Ou aprendemos a viver juntos como irmãos ou pereceremos como loucos'' (Martin Luther King).
- As condições para a paz. A primeira é a prática do diálogo como instrumento da procura da verdade. Depois vem a sacralidade da vida e a dignidade da pessoa que são valores fundamentais, primários e invioláveis. Em terceiro lugar vem o apreço e zelo pela democracia. Quem ofende os direitos humanos ofende a humanidade. A violência é arma dos fracos. Em seguida vem o desenvolvimento integral e não só econômico. Sem ética e sem Deus, aumentam as desigualdades sociais e com elas a violência. Sem o bem ético e espiritual o bem comum é impossível.
- A paz e a elevação dos pobres. A criação de riquezas para os pobres e portanto para todos, obedece à distribuição universal dos bens que Deus ordenou. O Pai quer pão para todos. ''Os povos da fome se dirigem de modo dramático aos povos da opulência'' (Paulo VI). Quando o lucro é o fim último criam-se pobrezas e destroem-se riquezas como por exemplo o meio-ambiente. Cresce a riqueza e aumentam as desigualdades. Algo está errado. Precisamos mudar nossos hábitos de vida e nossa mentalidade. O aumento da pobreza põe em risco a democracia e corrói o ''capital social que é a pessoa humana'' (Bento XVI). A lei do mercado ceda lugar à lei da gratuidade e ao espírito da dádiva.
- Os quatro ''c'' da paz. Primeiro, a concórdia. Não podemos viver só de cálculos e técnicas, é preciso o amor que brota do coração, a aceitação do outro como irmão. Segundo, a cordialidade. Os profetas da paz eram homens de cordialidade, amizade, perdão. É só lembrar Gandhi, D. Helder, Tereza de Calcutá etc. Cordialidade é respeito, aceitação das diferenças, tolerância, emoção pelo bem estar dos outros. Terceiro, o cuidado. Quem ama cuida do amado e cuidar é próprio do coração materno, sensível, solidário. ''Faças aos outros o que queres que te façam a ti'' (Lei de ouro). Quarto, compaixão. É o espírito de sensibilidade e partilha que leva a sofrer com os que sofrem. Compaixão não é dó, pena, dolorismo, mas reconstrução da convivência humana a partir do amor. Compaixão é o novo nome da paz, porque é empatia, paciência, solidariedade, respeito, perdão
Desejamos a você, leitor da Folha de Londrina e do Valeonline, paz consigo mesmo, paz com os outros, paz com a natureza e paz com Deus. A suprema paz é descentralizar-se e promover os outros, portanto, a abnegação de si e elevação do outro.
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