Bater não resolve
Apanhar desencoraja a criança a refletir sobre seu comportamento e a agir com responsabilidade
Muitos pais ainda utilizam o castigo físico como uma maneira de disciplinar os filhos. Alguns querem repetir a educação que receberam. Outros, quando estão atormentados por problemas, descontam a irritação nos filhos. Existem também aqueles que batem para dar uma lição, imaginando que isso as ensine a obedecer. Aparentemente, o uso da força como forma de intimidação funciona, porém a longo prazo esse método é extremamente ineficaz.
Ao apanhar, a criança se sente humilhada e, em vez de refletir sobre o mau comportamento, vai alimentar sentimentos de raiva e de vingança, ou outras reações negativas. Por exemplo, poderá ficar emburrada, não cooperar, implicar e desforrar no irmão menor ou no animal de estimação, tirar notas baixas na escola, destruir objetos da casa e brinquedos, deixar de fazer suas tarefas e até ameaçar de fugir de casa. Os pais tendem a responder com mais castigos e o problema vai piorando. Cria-se um circulo vicioso de desrespeito e tensão.
A educação baseada no medo da punição dificulta a formação do senso de responsabilidade e o desenvolvimento da consciência do certo e do errado, que vão ficar condicionados à da presença dos pais para monitorar seu comportamento. Isso ocorre porque, com os castigos físicos a criança não é estimulada a criar um senso de controle interno, ela fica esperando que ele venha de fora, da censura dos pais. É como se a punição fosse uma pagamento pelo erro, e o pior é que depois de pagar pelo que fez, a criança sente-se livre para repetir o ato sem ter que se responsabilizar por ele. Ela só precisa avaliar se vale a pena arriscar caso o comportamento inadequado seja flagrado pelos pais.
Usar o medo e a força como punição incentiva a criança a mentir para se proteger e a culpar os outros por suas ações. Sua auto-estima e autoconfiança ficam abaladas a ponto de tentar negar seus sentimentos para agradar aos adultos ou de se rebelar radicalmente contra eles. Portanto, os pais precisam pensar em alternativas para estabelecer limites aos filhos. Uma leitura interessante neste sentido é o livro “Quem ama educa” do psiquiatra Içami Tiba.