João Garcia de Campos
Encontro com o Psicólogo - Março 2009
João Garcia de Campos

Sofrimento bem trabalhado, pode ser benéfico ao ser humano.

É o que nos reafirma a psicoterapeuta Maria Zilah Brandão (*) em recente artigo publicado na Folha de Londrina, sob o titulo de “O lado bom do sofrimento”.
Trata-se do emprego da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) que orienta os pacientes a aceitar os sentimentos ruins para encontrar a paz e superar as adversidades.
Ao contrário da maioria das abordagens que aconselha os pacientes a não manter pensamentos e sentimentos negativos, a ACT acredita que aceitar a dor emocional é importante para encontrar a alegria, a satisfação e superar problemas graves como Ansiedade, depressão e Síndrome do Pânico.
Assim, evitar o sofrimento pode trazer conseqüências negativas para o indivíduo, pois sofrer é algo comum do ser humano. Negar ou evitar esse sentimento pode levar a uma estagnação, ao medo de experimentar e enfrentar as novas situações. Por exemplo, uma pessoa que tem uma desilusão amorosa e não aceita sofrer por isso; certamente pelo medo de passar pela dor do fim em novos relacionamentos, deixará de se envolver verdadeiramente com alguém. Ao evitar o que é ruim, evita também o que pode ser muito bom.
Segundo Maria Zilah é comum a fuga do sofrimento por meios desaconselháveis e compulsivos tais como o abuso de álcool e outras drogas e excesso de sexo como exemplos. Diz ela que as pessoas precisam perder a compulsão de tentar se livrar e evitar sentimentos negativos; entendendo que tal como pensamentos ruins, a tristeza também passa com o tempo.
Mas alerta a psicoterapeuta que, aceitar o sofrimento não é evidentemente cair em atitude conformista e passiva. É sim a compreensão de que não se deve tentar controlar o sofrimento no sentido de evitá-lo. Portanto não é simplesmente uma resignação e continuidade do sofrimento, mas sim superar as experiências ruins e nos abrirmos para novas experiências e oportunidades que não serão fatalmente idênticas à anterior.
Com a ACT procura ao mesmo tempo duas coisas:-
1. Aceitação do sofrimento, admitindo a dor e falando sobre ela.  (Aceitação)
2. Busca pelo paciente daquilo que realmente precisa ser valorizado. (Compromisso)
Um terceiro aspecto destacado pela psicoterapeuta é sobre o distanciamento da realidade. Ela explica que muitas vezes as pessoas fantasiam sobre o ruim e o bom, dando dimensões muito maiores. No caso do medo do sofrimento, geralmente há  a crença de que esse sentimento será muito pior do que ele realmente pode ser. Exemplifica dizendo que “Quando perdemos um amor, por exemplo, sempre achamos que nunca mais vamos encontrar outro”. Mas sabemos que não é bem assim, outros amores surgem'‘.
Além do atendimento em psicoterapia a psicoterapeuta Maria Zilah aconselha as pessoas em sofrimento a conversar, ler e assistir filmes que ajudem a aceitar a dor, e encontrar no trabalho, na família, nos amigos e no lazer o apoio e o motivo para agir positivamente. Muito assertivamente ela termina seu artigo dizendo o seguinte:- ''O tempo de sofrimento vai depender de cada um, mas é importante que o sentimento vá diminuindo ou se tornando aceitável com o tempo. ''
(*) Maria Zilah Brandão é psicoterapeuta do PSICC em Londrina - Pr.

Psicólogo Prof. João Garcia de Campos – CRP 08-05734
Psicoterapeuta Especialista em Análise do Comportamento
Rua Belo Horizonte 962 – Fone (43)3623-1334 – Porecatu Pr.
jogarca@bol.com.br
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