João Garcia de Campos
Encontro com o Psicólogo - Novembro 2006
João Garcia de Campos

Finados: A morte como esperança do começo da Vida
Quando perdemos alguém (amigo ou parente) pela morte ou ainda pela proximidade do dia previsto no calendário com dia de finados é uma grande oportunidade para reflexão sobre a vida, já que a morte é a coisa mais certa da vida.Podemos encarar a morte de uma maneira estritamente intelectual ou de uma maneira pessoal-existencial. A primeira postura encara a morte como uma realidade que não afeta a pessoa nem exige dela uma decisão. É uma postura própria das ciências positivas, estudando a morte como um fenômeno natural e inevitável comum a todos os seres vivos.
Nesta postura, afora a explicação das causas da morte, não resta nela qualquer mistério a ser considerado, nem mesmo o pós-morte. Já na postura pessoal-existencial, ao refletir sobre a morte, a pessoa interpreta a sua própria vida. A morte é mais que uma interrogação, uma resposta acerca de si mesmo, incluindo a pós-morte. Aqui não se limita à explicação da medicina sobre o porquê pessoa morreu, mas interessa muito o sentido morte. Por que morremos? Por que esta pessoa e não outra? Por que agora e não mais tarde? Por que desta maneira? Esses questionamentos revelam a insuficiência da atitude estritamente intelectual. Por que esta experiência nos toca tanto? Somos seres espirituais.
Somos tocados mais profundamente por algumas coisas do que por outras exatamente pela nossa espiritualidade que supera os dados de realidade. Diferentemente dos animais o homem é mais que matéria e neste sentido a morte é mais uma configuração da eternidade do homem.
É precisamente aqui que entra a grande experiência da morte: A realidade do limite terreno e a esperança da continuidade do espiritual. É por esta dualidade matéria-espírito que a morte ao contrário de ser uma pergunta passa a ser uma grande explicação para a nossa vida. A morte no aspecto material aponta para uma situação diante da qual somos impotentes e no aspecto espiritual para toda a nossa potencialidade de vida junto ao infinito, junto ao eterno, junto a Deus. Assim a morte é a vivência humana que atinge o significado de nossa existência. Na experiência da morte tomamos consciência da necessidade de salvação de nossa alma. A salvação necessariamente vem de graça e do Salvador. Ninguém é capaz de se salvar sozinho. Sempre somos salvos por alguém. Por que sentimos falta de salvação? Porque experimentamos nosso limite e reconhecemos não estarmos suficientemente fundamentados em nós próprios. Confrontados com a morte, nos percebemos necessidades do outro, necessitados de um Salvador.
O Dia de Finados pode ser mais um momento em que cada um se sinta confrontado com o limite material da existência humana. A consciência de que somos carentes de salvação, nos abre para a busca da espiritualidade, para a busca da religiosidade.
Lembrar-se dos entes queridos mortos é também um modo de perceber o significado da existência humana e pode ser a grande oportunidade de passarmos da superficialidade da rotina, para um aprofundamento de nosso interior e descoberta de nossa necessidade de salvação e de um Salvador, único fundamento para uma vida que jamais se extinguirá na eternidade.

Psicólogo Prof. João Garcia de Campos – CRP 08-05734
Psicoterapeuta Especialista em Análise do Comportamento
Rua Belo Horizonte 962 – Fone (43)3623-1334 – Porecatu Pr.
jogarca@bol.com.br
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