Reflexões sobre mortos e vivos
Novembro nos faz lembrar os mortos e como conseqüência muitas reflexões! O texto abaixo, de Renato Colombo de Almeida é muito interessante para as reflexões:- sobre mortos e vivos!
“Em 1755, no dia de Todos dos Santos (primeiro de Novembro), ocorreu, em Portugal, um violento terremoto, que destruiu grande parte de Lisboa.
Na ocasião, o Primeiro Ministro, Marquês de Pombal, enfrentou a catástrofe com o lema: “Sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos”.
Diversas vezes ocorrem em nossas vidas eventos arrasadores. A calamidade é tão grande que por vezes perdemos o discernimento. Esses terremotos podem ser de diversas formas: um amor não correspondido, desentendimento do tipo profissional, erros incorrigíveis com o nosso melhor cliente, uma doença inesperada, uma morte súbita.
Todos estamos sujeitos a terremotos na vida. E quando isso acontece é hora de adaptar para a nossa vida a frase do Marquês: “Sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos”.
Sepultar os mortos significa que não adianta ficar deplorando a tragédia ou se recriminando por ela.
É preciso enterrar o passado, parar de pensar sobre o que deveria ter sido e encarar o que está sendo.
O passado serve apenas para justificar nosso presente e poder atingir um futuro mais promissor. Enterrar o passado não significa esquecê-lo, mas constatar que o tempo não para e a memória precisa retornar seu processo cíclico de regeneração.
Cuidar dos vivos representa a importância de tomar conta do presente. Ter cautela com o que sobrou, o que realmente existe. Fazer o que tiver que ser feito para salvar o que restou do terremoto, valorizando e usufruindo o que temos de bom em nossa vida. Ser companheiro de quem está ao nosso lado, pois são eles que lutarão pelas gerações futuras.
Fechar os portos fala sobre dificultar a possibilidade de que novos problemas apareçam enquanto estamos “cuidando dos vivos e enterrando os mortos”. Sabemos, também, que os portos são como portas de entrada e que não podemos deixar abertas para que novos problemas possam surgir. Fechar os portos nada mais é que não deixar brechas que causem novos terremotos e, ao mesmo tempo, ficar alerta para não sermos pegos de surpresa. Implica concentrar-se na construção através do trabalho, sem jamais esquecer que outros terremotos estão em plena ebulição e poderão voltar a nos destruir."
Portanto, que o dia de finados e o final do ano se aproximando façam com que lembremos das palavras do Marquês: vamos procurar enterrar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos. Assim estaremos construindo melhor nossa história.
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